domingo, outubro 16, 2011

Domingo Chuvoso!

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Adorei essa invenção!

                Lá fora a chuva cai fina e constante, suas gotas velozes tocaram minha pele como se fossem agulhas. Dessa vez não falo de meu estado de espírito, chove de fato lá fora. Aqui dentro, gripado, não me importo se a vida quer passar a passos apressados.
               
                Esses dias eu li sobre a causa metafísica do resfriado, não fui atrás para procurar, veio até mim como se eu tivesse que ler aquelas poucas linhas. Resfriado é a necessidade do pranto da alma, que é sufocado por uma mente endurecida pela vida. Fiquei pensando nisso, faz tanto tempo que não consigo chorar de verdade, limpar a alma e seguir em frente. Se bem me lembro, a última vez que me entreguei ao alívio do choro, foi num processo doloroso de catarse, não foi gostoso, vomitei muitas raivas, desilusões, frustrações e medos.

                A rua aqui fora está quieta, posso ouvir os pingos de chuva caindo no chão, ao longe ouço o canto de um passarinho, não consigo definir de qual espécie. Talvez hoje eu dê sorte e consiga ouvir também as andorinhas que passam por cima de minha casa, são tão escandalosamente divinas...

                Dias assim são muito bons para um queijos e vinhos, ler um bom livro e pensar sobre a vida. São bons também para ter consigo aqueles amigos, que assim como você, gostam de pensar e filosofar sobre as coisas da alma.
                Sinto saudades daquilo que não sei se já tive em minha vida, talvez não seja esse o sentimento, talvez eu esteja confundindo as coisas, talvez sejam mais vontades. Vontades de coisas que nunca tive e sempre desejei ter, materiais, emocionais, transcendentais e tudo mais... Rsrsrs. Talvez eu tenha tido um monte dessas coisas que hoje desejo e não posso, talvez eu já tenha vivido isso numa outra vida e o véu do esquecimento, tenta agora romper-se em minha mente. Se bem que esse negócio de outras vidas tem se tornado bem engraçado ultimamente, o que eu conheço de pessoas que dizem ter sido reis e rainhas, nobres e fidalgos de todas espécie, não está escrito. Não sei, talvez eu tenha sido uma das prostitutas que  serviam D. Pedro II, ou quem sabe um mendigo muito bem sucedido, que ganhava esmolas gordas ao recitar versos apaixonados, para casais nobres que passeavam de mãos dadas pela orla. Momentos como esses são necessário em nossas vidas, eu ao menos já conheci alguns mendigos que eram, ou ainda são em alguns casos, figuras extremamente curiosas. Tinha um que falava inglês, outro que era um poeta nato, teve até aquele que, mesmo ganhando roupas, preferia se vestir com um belo saco de lixo. Essas histórias, essas pessoas, são partes importantes de nossas vidas, pois se não fossem simplesmente não atravessariam nosso caminho. Agora, se todos foram nobres em vidas passadas, quem sobrou para fazer o trabalho sujo? Eu não me importo, afinal essa vida é uma invenção. Cargos, títulos, idade, família, tudo isso foi inventado pelo homem, só existem porque acreditamos que existam. Um belo exemplo disso é o dinheiro, num dia qualquer um imperador chinês resolveu imprimir sua face num pedaço de papel e dizer que aquilo valia alguns quilos de arroz, o povo não gostou muito, mas não aceitasse para ver, perdia a cabeça na hora!
                Certo dia fui jogar tarô com um conhecido meu, ele me disse que enxergava algum tipo de voto de pobreza na minha vida, que aparentemente eu havia sido ligado a igreja católica em vida pregressa, não como um sacerdote, mas como um daqueles monges que ficam limpando o chão do mosteiro, sabe? Pois bem, aí o bobão aqui resolveu acreditar que fazer voto de pobreza era o melhor caminho para a salvação. Conclusão, se isso estiver certo, morri limpando o chão, nasci de novo e nem ao menos sou católico, mas a ligação energética de um voto ridículo feito há anos atrás, talvez até há cerca de um século e meio, permanece.

                Bem, já percebi que esse post não seguiu por uma linha de raciocínio única, sou só eu rascunhando algumas palavras, então para terminar acho interessante que seja dizendo alguma coisa de utilidade pública.

                Tomem cuidado com certezas absolutas, meus queridos! Volto a repetir que a verdade não é do mundo e sim do ser, nem mesmo o azul que é uma cor primária, de fato é azul, pois tudo depende do ponto de vista do observador (lembrando Einstein). Essas certezas absolutas de tudo, só fazem é nos condicionar, nos fechar demais e por consequência fazer burrices como, votos de pobreza, que nos acompanharão pelo tempo necessário para que percebamos a besteira que fizemos.

Bom domingo a todos, sendo ele chuvoso ou não!


João Fernando
16/10/2011

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